Ciro de Oliveira Machado
Referência:
Cúpula define agenda básica para a integração
(Reportagem, no jornal O Estado de São Paulo, primeira página, do dia 02/09/2000, onde são relatados os resultados do encontro dos 12 presidentes da América do Sul, realizado em Brasília).
02/09/00

Nossa Opinião

Reunião dos 12 presidentes da América do Sul, ocorrida na quinta-feira, dia 31/08/00, teve como tema principal a necessidade de integração geopolítica e comercial do continente.

Desta importante reunião, resultou o "Comunicado de Brasília" documento que defende a inserção internacional da região como forma de promover o desenvolvimento.

Documento que, entre outros importantes pontos, reconhece que o fortalecimento da Democracia, seu aperfeiçoamento e atualização, estão intimamente ligados ao desenvolvimento econômico e social dos povos sul-americanos.

Reconhece também que a pobreza e a marginalidade ameaçam a estabilidade institucional da região, recomendando que sua erradicação deve continuar a merecer tratamento prioritário por parte dos governos da América do Sul.

Reconhece que a chegada do novo milênio coincide com grandes desafios no cenário social da América do Sul, por ainda permanecerem as carências essenciais em áreas como a nutrição, a saúde, a educação, a habitação e o emprego.

Erradicar a pobreza absoluta e diminuir as desigualdades, incorporando as camadas pobres aos demais setores sociais em programas de desenvolvimento integral, requerem que tais programas sejam capazes de melhorar os índices de desenvolvimento humano de cada país.

Os desafios comuns da globalização - seus efeitos desiguais para diferentes grupos de países e, dentro de países, para seus habitantes - poderão ser melhor enfrentados na medida em que a região aprofunde sua integração e continue, de maneira cada vez mais eficaz, a atuar coordenada e solidariamente sobre os grandes temas da agenda econômica e social internacional.

Em resumo, esta importante e oportuna reunião está a alertar todos os povos latino-americanos que urge encontrarmos um novo caminho que nos permita vencer todos os desafios com que hoje nos defrontamos para construir um continente próspero, rico, soberano, pacífico e com um povo solidário e feliz.

É àqueles a quem cabem ser os artífices desta "utopia", a responsabilidade e o dever de permitir os povos latino-americanos caminharem em direção ao seu grande destino de construtores de um mundo melhor para todos neste planeta, neste novo milênio.

Entretanto, para realizar adequadamente esta tarefa, é necessário sabermos por onde começar esta caminhada.

Há muitos e muitos anos, vivemos imersos num perverso processo de empobrecimento crescente que, na verdade, é um dos principais responsáveis por nossas grandes mazelas.

Há necessidade urgente de inverter tal processo para, em seu lugar, criarmos um processo virtuoso de enriquecimento crescente pois, só assim, será possível, pouco a pouco, encontrarmos a solução dos principais problemas que nos afligem.

Para isto, temos de reconhecer que a seqüência de nossa caminhada deverá ser esta: primeiramente, temos de resolver nossos problemas econômicos; a seguir, os social e político e; depois, todos os demais.

Temos que encontrar uma nova proposta que permita, num único mandato presidencial, fazer o Brasil e todos os outros países sul americanos, iniciarem o caminho para o desenvolvimento, para o progresso, para a fartura, sem necessidade de mais e mais dólares, sem necessidade de revoluções armadas, sem mudanças drásticas de regimes políticos, sem as influências perversas do neo-liberalismo, sem maiores sofrimentos para os nossos povos.

Estamos todos diante de um gigantesco desafio sem, entretanto, saber exatamente, qual a ferramenta eficaz que é preciso ser usada.

E a resposta que apresentamos a todos é uma Nova Economia Política com sua moeda neutra de desenvolvimento.

Ela está exposta e disponível para o conhecimento de todos, neste "website".

É a partir de seus pressupostos que estamos certos de que os países sul americanos, ou quaisquer outros países do mundo, em dificuldades, poderão encontrar a ferramenta, o modo como fazer, para dar solução aos seus grandes problemas.

Sabemos ser do conhecimento de muitos que, uma das mais importantes iniciativas no sentido de se encontrar uma nova alternativa política capaz de permitir equilibrar o crescimento econômico e a justiça social, com liberdade, em um clima internacional estável, está sendo proposta pelo Primeiro Ministro Britânico Tony Blair com a denominação de a Terceira Via.

Sabemos que a experiência socialista de encontrar a prosperidade com justiça social, não conseguiu alcançar o seu objetivo e que, hoje, além do desmantelamento do império soviético, levou seu povo à dramática situação mostrada por toda a mídia mundial.

Por outro lado, a experiência das democracias de encontrar a prosperidade, com liberdade, também fracassou. Basta olharmos em volta para constatar as condições subumanas em que se encontra a maior parte dos povos ditos capitalistas. E esta afirmativa ficará definitivamente comprovada quando, a qualquer momento, a maior crise econômica mundial se abater sobre toda humanidade.

É diante deste cenário que a Terceira Via, com seus ideais de liberdade e justiça social, que reúne o melhor das outras duas experiências, nos parece ser a mais importante iniciativa que hoje os grandes líderes e estadistas do mundo devem se preocupar e voltar todas as suas energias.

Entretanto, para que esta nova experiência não seja também mais uma tentativa fracassada, há imperiosa necessidade de se encontrar a ferramenta adequada que garanta o seu sucesso.

Isto porque, embora as ideologias políticas das experiências anteriores que poderíamos chamar de Primeira e Segunda Vias, fossem teoricamente satisfatórias, uma das razões fundamentais dos seus fracassos foram os modelos econômicos que adotaram.

Modelos econômicos inadequados que, principalmente pela ignorância e pela cobiça dos seus agentes, não souberam administrar e fazer uso correto da moeda, desvirtuando seu valor real, transformando-a em uma moeda não neutra, isto é, uma moeda que não tem como lastro o produto do trabalho dos seres humanos.

Assim, impõe-se um modelo econômico que seja teoricamente correto, justo e eficiente. Modelo este que, como já dissemos, existe, foi desenvolvido pelo economista brasileiro - Prof. Ciro de Oliveira Machado - e que se baseia no uso de uma moeda neutra, isto é, aquela moeda cujo lastro é o produto do trabalho dos seres humanos. Ela está exposta neste site por meio dos artigos, opiniões e livros apresentados.

A Nova Economia Política busca o equilíbrio econômico. Equilíbrio que só será encontrado quando houver, num sistema econômico, uma relação direta entre a quantidade de mercadorias (bens e serviços) produzidas e a quantidade de moeda disponível. Isto significa, principalmente, a adoção da moeda neutra e de novas regras para disciplinar a atuação dos Bancos Centrais Nacional e Mundiais.

Acreditamos que após tomar conhecimento dos pressupostos e das proposições da Nova Economia Política, poderemos, com clareza, entender que poderá ser elaborado um modelo político-econômico capaz de tornar possível a retomada do desenvolvimento econômico de todos os países da América do Sul: o primeiro passo necessário para criarmos a prosperidade para todos e eliminarmos para sempre as mazelas que ainda tornam infeliz grande parte dos nossos povos.

Estamos certos de que aqueles responsáveis em tomar as grandes decisões para mudar, perceberão que, a partir deste momento, dispõem em suas mãos de uma poderosa arma que poderá ser usada para nos permitir vencer a declarada guerra econômica que ora está em curso, viabilizar a América do Sul, tornar realidade a Terceira Via e se tornarem os maiores estadistas do planeta.

Existirão homens deste quilate em nossos países?

Estamos certos que sim.

Eles estarão presentes no momento oportuno.

Pois segundo Vitor Hugo, nada é mais poderoso do que uma idéia que tenha chegado o seu tempo...


Emmanuel Gama de Almeida