Ciro de Oliveira Machado

Referência:

ALUNOS ANISTIADOS RECEBEM CERTIFICADO DE ENGENHEIRO HONORIS CAUSA (9/12/2005 12:45)

 

Em sessão aberta da Congregação do ITA, no dia 8 de dezembro, foram entregues os Certificados de Engenheiro Honoris Causa, a quinze alunos do Instituto, desligados em 1964 e 1975 e anistiados em maio deste ano.

 

 

www.ita.br - 10/12/2005

Nossa Opinião

 

Após 41 anos aqui estou com um diploma de engenheiro honoris causa do ITA, Instituto Tecnológico de Aeronáutica.

 

À pergunta de meu neto Bruno, “Vovô, agora você é engenheiro que faz casas?”, respondi de pronto: ”Não, sou um Engenheiro Econômico”.

 

Fiel aos preceitos de exatitude que nortearam minha escolha acadêmica, ao ser desligado do ITA em 1964 por motivos políticos, pois fazia alfabetização de adultos pelo sistema Paulo Freire, comecei em 1965 um curso de economia pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, o qual, por razões financeiras, vim a completar em 1977.

O curso não me satisfez.

Considerava a Ciência da Economia Política como uma ciência exata, matemática em sua formulação, uma real Engenharia Econômica para estabelecer um mundo bem melhor, e não uma ciência humana, para satisfazer politicamente desejos humanos, como faz crer a teoria neoclássica recém estudada.

 

Logo após minha formatura, li o livro “Produção de Mercadorias por Meio de Mercadorias” do Economista Piero Sraffa, livro seminal da Nova Economia Política, ou, no caso, “Engenharia Econômica”, que passei a desenvolver.

 

A “Nova Economia Política” parte das mercadorias produzidas pelo trabalho humano.

Em sua formulação há um conjunto de equações representativas de todas as mercadorias (bens e serviços) produzidas por um sistema político-econômico, na forma de custo vezes (1+ Taxa de Excedente) que é igual ao valor de uma determinada quantidade de mercadoria.

Iremos estabelecer as equações típicas do sistema econômico adotando como fixos os preços das mercadorias produzidas por empresas monopolistas e oligopolistas, juntamente com uma equação representativa do PIB – Produto Interno Bruto calculado para o sistema da forma usual; a solução deste sistema nos dará o preço das demais mercadorias produzidas.

 

Todos os parâmetros que descrevem a economia, tais como a composição do PIB, taxa de juros, taxa de crescimento e desenvolvimento, taxa de desemprego, situação fiscal, exportações, importações, déficit ou superávit público, déficit ou superávit em contas externas, dívidas internas e externas, taxas de câmbio etc., são corretamente gerados e calculados pela análise dos dados apresentados pela resolução do sistema político-econômico, desfazendo de vez a divisão entre Macroeconomia e Microeconomia.

Em decorrência disso, esta Engenharia Econômica vê formas de transformar politicamente os degradados sistemas mundiais atuais, em sistemas com taxas de desenvolvimento recordes e taxas de desemprego mínimas.

A conclusão monetarista mais importante de nossa teoria político-econômica: a moeda neutra de desenvolvimento.

Sem esta moeda neutra de desenvolvimento continuaremos a ver o panorama mundial em desequilíbrio máximo, entre desempregos recordes e taxas de não crescimento crescentemente negativas.

 

Toda esta análise está presente nas 90 paginas do Excerto Teórico da Nova Economia Política.

 

Nas 300 páginas restantes, do Continuum Político Econômico, descrevemos os sistemas econômicos históricos, desde o dos homens das cavernas até o moderno Japão de hoje.

Nesta descrição estão também nossas críticas, pois com estas análises, provamos que a trajetória do dólar e sua presença como moeda internacional nos dias de hoje vai causar o que chamamos de Depressão Máxima, frente a qual a Grande Depressão de 1929 nos parece uma crise passageira.

Os Estados Unidos, para um PIB de 11 trilhões de dólares, tiveram o poder de espalhar pelo mundo cerca de 300 trilhões, entre emissões do FED e dos Bancos Nacionais e Multinacionais.

Matematicamente, mais dia, menos dia, este fato, ou este retorno, pois dólar é moeda apenas dos Estados Unidos, causará uma hiper-inflação, com a decorrente perda de valor entre as principais moedas do mundo, falência geral dos bancos, cessação do comércio internacional e desemprego muito além dos 25% relativos à Grande Depressão.

Enfim, nossas perspectivas são bastante pessimistas, mas o que fazer diante do matematicamente inevitável?

Resta-nos o consolo da rápida reconstrução, pois o mundo sofrerá a Depressão Máxima enquanto os princípios similares aos da Nova Economia Política com sua moeda neutra de desenvolvimento não forem observados.

 

Nossa proposta, então, é pelo estudo da Nova Economia Política. Estamos certos de que pelo intercâmbio de opiniões, chegaremos mais perto de uma solução geral logo após a Depressão Máxima.

O custo é a somatória do preço vezes a quantidade de todas as mercadorias intermediárias, inclusive as forças de trabalho necessárias à produção desta mercadoria.

O sistema conta ainda com a equação das mercadorias que perfazem a cesta de consumo de cada uma das forças de trabalho.

 

(1+ Taxa de Excedente) é um componente político-econômico a ser determinado pela forma de divisão do PIB – Produto Interno Bruto entre os membros deste sistema, assim considerando trabalhadores, rentistas e produtores. Nos tempos rudes e primitivos a taxa de excedente era igual à zero, pois todos compartilhavam de toda a produção. Nos Egito antigo, a taxa de excedente dos produtos agrícolas, plantados nas terras do faraó, era máxima, sendo de zero a taxa de excedente de todos os trabalhadores agrícolas. Nos sistemas atuais monopolistas e oligopolistas a taxa de excedente destas empresas é bastante maior do que a taxa de excedente das empresas concorrenciais.

 

O valor das mercadorias é a quantidade produzida vezes o preço desta mercadoria.

 

 

 

 



Ciro de Oliveira Machado