Ciro de Oliveira Machado

Referência:

Freio em investimentos gera superávit recorde.

 

“Governo Federal gasta com pagamento de juros por dia mais do que investiu no ano”.

Folha de São Paulo, 31 de maio de 2005, São Paulo, SP.

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...“O mais caro programa de investimentos do Ministério da Saúde, para obras de saneamento ambiental urbano, só usou 0,11% dos R$717,7 milhões autorizados no ano”.

11/06/2005

Mensagem recebida

 

04 de junho de 2005

Gama
Essa noticia demonstra de maneira insofismável que o comando de nossa política econômica, definitivamente não está nas mãos dessa equipe do PT.
Aliás desde a posse do Lula-lá, quando foi nomeado para o Banco Central o Sr. Henrique Meirelles do Banco de Boston, já se delineava que algo estranho estava acontecendo.
Será que todo esse "comando" composto de Lula, Gushiken, Dirceu, Genoino e etc., de puro horizonte reinvindicatório sindicalista teria visão para essa política que estamos presenciando ?
Será que o Palloci, político interiorano de formação médica, é o mago que está fazendo tudo isso???


O FHC, vendeu o país, e o Lula é obrigado a manter a rentabilidade do negócio e nem mesmo a tradição anti-FMI, xenófoba, esquerdista do PT poderá ir contra isso. A Senadora Heloísa Helena foi queimada por isso.
Se repararmos, o próprio Mercadante que é o que o PT teria de melhor para formular alguma coisa nessa área, está de lado.
Em suma Gama, eu acho que nosso país está na pior e não vejo como sairemos desta.


A curriola, jogou tudo para o alto (planos, socialismos, movimentos, políticas, esquerdismos, aspirações etc. etc. etc. ) e está exclusivamente se arrumando e aos seus e estão gostando tanto dos benefícios que já fazem planos de continuar ...
O "Poder Econômico Alienígena " continuará a reinar e deixará que a curriola continue "governando", desde que as dividas sejam pagas religiosamente e todas as remessas feitas sem contestações. Permitiram até o aumento de nossas exportações visando haver moeda para isso!!!. A própria redução do cambio ( Dólar x Real) que esse mesmo "Poder" tem comandado, tem o duplo objetivo, de manter essas exportações dentro de certos limites e permitir que as remessas sejam feitas a um custo menor em Reais.
A noticia portanto que você encaminhou está dentro desse contexto que procurei
interpretar dentro de minha visão completamente amadora.


Como estou tratando com você cujos conhecimentos nessa área eu considero fora
de série eu pergunto : Estou muito errado ???


Um abraço Roberto Tinoco
 

Nossa Opinião

 

São Paulo, 11 de junho de 2005

Caro Tinoco

 

Embora você diga que sua visão é completamente amadora, suas considerações são muito pertinentes e, como poucos, você está percebendo com muita clareza, o que está se passando neste Brasil.

A verdade é que há anos estamos imersos num processo de pobreza crescente que se deve a muitos fatores mas, principalmente, graças à incompetência de nossos governantes. Hoje, graças também à influência da conjuntura internacional mais desfavorável, e a uma incompetência ainda maior, como mostrado pelos fatos que você relata,  aquele processo tem-se agravado e continua sendo a razão principal de todas as nossas mazelas.

 

Diante disso, não só você como todos os brasileiros, não conseguem ver uma saída dessa embrulhada a não ser a deslavada mentira que é propalada pelos programas de propaganda política: prometem coisas que jamais serão capazes de executar. Todos dizem: junte-se a nós e vamos mudar o Brasil, sem entretanto dizer como mudar...

 

Nossa convicção graças aos mais de vinte anos de dedicação aos estudos dos problemas brasileiros e da busca de uma solução, chegamos à conclusão de que todo o problema se resume na incompreensão do significado real da moeda, evidentemente a isso associada a cobiça e os mais diferentes interesses dos seres humanos em obter esse “símbolo” da riqueza.

Símbolo que tem valor real, isto é, tem lastro, se representar o produto do trabalho humano na produção de bens (mercadorias e serviços), em outras palavras, a riqueza vem do que é produzido pelo trabalho.

Símbolo que não tem nenhum valor, é irreal, isto é, sem lastro, quando não representa qualquer produção de riqueza. Em outras palavras, vem do nada e nada produz, isto é, da especulação financeira.

Alertamos aqui que em nossa Nova Economia Política chamamos de “moeda neutra” a moeda real, aquela que tem como lastro a riqueza produzida pelos seres humanos e “moeda não neutra”, a moeda irreal, a moeda sem lastro que não representa nenhuma riqueza. Em nosso estudo indicamos também como fazer o uso correto da moeda.

 

É interessante notar que a moeda sem lastro nasce, principalmente, da aplicação dos juros – uma invenção diabólica dos seres humanos que, como nos diz Schopenhauer,  foi o modo engenhoso por eles criado de ganhar mais dinheiro “vendendo o tempo”.

Os países “subdesenvolvidos”, “em desenvolvimento”, ‘emergentes”, ou qualquer outro rótulo que se dê, assim o são, porque decidiram crescer à custa de permanente endividamento e, caindo nessa armadilha, continuarem sendo colônias, mesmo depois de se tornarem independentes. Daí, por não compreenderem o verdadeiro significado da moeda, permanecem nesta situação até os dias de hoje.

 

Aqui é bom lembrar que há cerca de 100 anos, imigrantes japoneses deixaram um país pobre para vir fazer riqueza no Brasil. Hoje vemos que o Japão, mesmo derrotado na guerra, tornou-se um país rico e, ironicamente, são os brasileiros descendentes deles, que lá voltam para fazer riqueza...

Aqui fica a pergunta: o que fizemos nesses quase cem anos em prol do enriquecimento do Brasil?

A resposta parece evidente: quase nada...

Assim, os países eternamente “emergentes”, como não sabem manipular corretamente a moeda, só entendem que a devem conseguir pedindo emprestado. Esta postura está completamente errada como indica a Nova Economia Política: seus pressupostos mostram que podemos fazer o Brasil ou qualquer outro país, crescer a níveis sem precedentes e sem necessidade de pedir emprestado um dólar...

 

Hoje, como você sabe, graças a essa postura equivocada, a situação em que chegamos é tão dramática que temos de pedir emprestado mais dinheiro para, agora, não mais para pagar as dívidas, mas sim, os juros crescentes dessa dívida, num processo sem fim.

Esta política suicida é hoje a adotada no país em função dos interesses daqueles que dela se beneficiam: os nossos famosos credores, intitulados “investidores” que nossos especialistas dizem que devem ser tratados a “pão-de-ló”, senão iremos todos à falência...

Falência que já estamos à beira de decretar como fez a Argentina.

 

No entanto, quase todos são unânimes em festejar a “brilhante” ação daqueles que hoje são responsáveis pelo desempenho econômico do Brasil.

É evidente que esta postura, parte da nossa cultura, é a repetição do que dizem os nossos credores “lá fora” (pois são os grandes beneficiados) e, como sempre, repetimos em uníssono, “aqui dentro”, como se fosse uma verdade insofismável. E assim, continuamos a fomentar e tornar perene o processo de pobreza crescente em nosso País.

 

O recente e tão decantado bom desempenho de nosso setor produtivo voltado para as exportações, é outra ilusão. Quase 80% do que exportamos é produzido pelas empresas estrangeiras instaladas no Brasil. Como você sabe, graças às políticas equivocadas dos governos, principalmente nesses últimos quase 30 anos, o melhor do nosso sistema produtivo foi vendido devido à impossibilidade que tais governos criaram {e ainda criam) para que nossos empresários sobrevivessem (e sobrevivam).

 

Assim,  nossa riqueza real é trocada por uma moeda irreal que é o dólar e que, depois, grande parte ainda retorna para fora como pagamento de juros e remessa de lucros dessas companhias estrangeiras. Em outras palavras, essa é uma das principais razões que permite com que quase 50% do PIB fique de posse de um pequeno grupo, tornando, como sempre, nossa distribuição de renda uma das mais injustas do mundo.

Por outro lado, a política irracional de aumento permanente dos juros (há previsão que ainda vai durar 10 anos!!!), inibe o crescimento da produção interna, agravando o desemprego e tantas outras mazelas bem conhecidas por todos.

 

E o governo, incompetente de resolver os grandes problemas nacionais, dedica-se (como se fosse um avestruz), à discussões, conchavos, arranjos, CPIs e outros expedientes, na justificativa de manter a governabilidade, voltado para si, na ilusão de que isto é que é “governar”, esquecendo-se de cuidar dos grandes problemas nacionais.

Por isso mesmo o país encontra-se à deriva...

 

Vamos a alguns poucos exemplos:

Em fevereiro/março, mal iniciado o ano fiscal, o governo já anunciou o contingenciamento do orçamento. Em maio, quase no meio do ano, o governo, embora tenha anunciado ser este o “ano dos investimentos” só investiu 1,25 % do  orçamento aprovado pelo Congresso que, como você sabe, eqüivale menos do que o pagamento de um dia de juros da nossa dívida. O IPEA recentemente corrigiu o crescimento do nosso PIB neste ano, que caiu de 3,5% para 2,8%.

 

-          Onde nós vamos parar?

 

Embora, por tudo isso e por muitas mais outras razões, você e tantos outros acreditem que não temos mais solução, nós estamos convencidos que ela existe.

Assim, para conhece-la, sugerimos você voltar ao nosso site www.nep2000.ecn.br e ler o livro indicado na “home page” em letras piscando. Seu título é “Novos princípios da Nova Economia Política" aplicados: como baixar os juros a menos de 5% a.a. e promover o desenvolvimento econômico nacional a níveis recordes”. Nele é apresentada, sucintamente, uma solução diferente da hoje adotada e que acreditamos ser muito mais eficaz. Ele indica o que deve ser feito para a trocar a ciranda financeira por uma ciranda voltada para o crescimento da produção.

 

É evidente que precisa haver alguém com visão e muita coragem para adota-la ou, então, teremos de esperar pela “máxima depressão” prevista pela Nova Economia Política, que vem por aí, para então agir, tardiamente, quando os prejuízos para o país serão muito maiores.

 

Em princípio, acreditamos que você não dará muito crédito a essa solução. Não por falta de inteligência, mas pelo fato de viver numa ilusão que está colocada no consciente coletivo do nosso povo há muitos e muitos anos: aquela que nos diz que somos incapazes de resolver nossos problemas. Já encontrei muitas pessoas que riram quando eu disse que, no período de um mandado governamental, poderemos mudar o rumo de nosso País em direção à prosperidade e ao desenvolvimento sustentado, desde que adotemos a Nova Economia Política.

 

Estamos convencidos de que tudo isso é possível. Se não vejamos:

Os EUA transformou-se na maior potência do mundo porque em sua história promoveu 100 anos de desenvolvimento emitindo moeda e a transformando em riquezas num processo de prosperidade crescente graças às suas potencialidades naturais e aos seus competentes governos.

O Japão, depois de destruído na Segunda Grande Guerra, passou a crescer vertiginosamente transformando-se na Segunda potência econômica do mundo também emitindo mais moeda aplicada ao seu sistema produtivo.

A China e outros países asiáticos, da mesma maneira, têm obtidos índices elevados de crescimento via o seu sistema produtivo. Um exemplo marcante é o Vietnã que, destruído por uma guerra que durou mais de trinta anos, recupera-se crescendo a níveis invejáveis.

 

Por outro lado, tomando como exemplo a Venezuela – país sul americano atualmente imerso numa grande crise – que nos últimos 20/30 anos obteve com a exploração do seu petróleo mais dinheiro do que todo aquele aplicado pelo Plano Marshal para recuperar a Europa, continua “emergente”.  E assim permanecerá enquanto não perceber que é preciso saber fazer o uso correto da moeda para promover o seu verdadeiro desenvolvimento.

E o Brasil, ainda na contra mão da história, dedicado principalmente  pagar dívidas e privilegiando o mercado financeiro em detrimento do setor produtivo, tem permanecido “emergente” e,  a continuar como vai, ao invés de se tornar um Japão do tamanho do Brasil, tornar-se-á um Brasil do tamanho de Cuba...

 

Isto tudo significa que estamos envolvidos numa declarada guerra econômica e que estamos sendo derrotados. Guerra essa que é pior do que uma guerra convencional, porque é capaz de destruir a riqueza, a soberania, o patriotismo dos cidadãos e cidadãs e ainda corromper seus valores éticos, morais, suas mentes e seus corações, como hoje assistimos em nosso Brasil.

 

Em suma Tinoco, temos que mudar! Mudar para valer! Não ter medo de mudar! Não mudar no discurso, mas mudar na ação...

 

Nossa percepção é que dispomos de uma poderosa ferramenta, de uma poderosa arma, que poderá permitir evitar a nossa derrota nessa cruel guerra econômica.

Por isso, temos que, em nossa agenda nacional, adotando a Nova Economia Política e sua Moeda Neutra de Desenvolvimento, dar prioridade ao econômico e, em paralelo,  cuidar do social, do político e tudo mais. Em outras palavras, é necessário e urgente fortalecer o Poder Econômico pois sua fraqueza, hoje, paradoxalmente, o torna tão poderoso, que o faz inibir todas as demais expressões do Poder Nacional.

 

Tudo isso é um sonho absurdo? Creio que não, porque na verdade as mais importantes mudanças no mundo foram feitas pelos sonhadores.

Dizem que, para isso, precisamos também de estadistas, de piratas e de profetas. Assim, peço a Deus que eles surjam o quanto antes...

Um grande abraço.

Emmanuel Gama de Almeida

 

* Sugerimos, prioritariamente o seguinte roteiro para conhecer a Nova Economia: abra a página “Mensagens” e leia aquela que enviamos, em 2004, às Deputadas e Deputados do PT e também a carta que a ela se segue anexa. Leia também os três últimos artigos que publicamos em nossa página “Artigos” e , a seguir, tudo mais que está contido em nosso site. Depois disso, se você e outros interessados desejarem conhecer, com mais profundidade, nossas idéias e a engenharia de implantação da NEP no Brasil, saiba que estamos à sua disposição.



Ciro de Oliveira Machado