Ciro de Oliveira Machado

Referência:

Consulta de leitor do site www.nep2000.ecn.br

DADOS DO REMETENTE
 
    Nome Completo: Leandro Pinho Marques
     Endereço: Rua Jacarina, 23
     Bairro: Carlos Pratesl
     Cidade: Belo Horizonte, MG
     Cep: 30720-180
     E-mail: leandropmarques@ig.com.br

 

Este texto está organizado apresentando as três perguntas feitas pelo Leandro e as respectivas respostas dadas por nós, que representam a nossa opinião a respeito de suas pertinentes questões.


27/01/2005

Nossa Opinião

MENSAGEM RESPOSTA:


Primeira pergunta
Leandro:

 Eu li o texto que foi enviado como resposta a um leitor do seu site, onde uma das perguntas que ele lhe fez, se há cientificamente meios de prever a queda do dólar?

Se eu entendi o seu texto resposta acho que não, porque o único fator assinalado que faz o dólar ainda ser uma moeda forte é a necessidade de todos os países e exercer o comércio internacional, ou seja, exportar para os EUA.

 

Nossa opinião:

 Nosso trabalho mostra (pelo uso da matemática) que a economia mundial caminha para uma depressão máxima, devido, principalmente, ao profundo desequilíbrio entre as relativamente poucas mercadorias produzidas pelos EUA (PIB de US$ 10 trilhões) e a imensa quantidade da moeda internacional dólar (estimados em US$ 400 trilhões), emitidos pelos EUA e bancos e organismos multinacionais tipo FMI e Banco Mundial.

Os dólares originais são o somatório dos déficits anuais em balanço de pagamentos dos EUA e o saldo dos empréstimos concedidos e recebidos dos EUA. Esses dólares foram multiplicados em muito pelos bancos e organismos internacionais.

Grande parte desse volume inimaginável de dólares, encontra-se nos caixas desses bancos e organismos internacionais e são utilizados nos mercados de derivativos e futuros, os únicos ainda lucrativos, e como capitais especulativos, prontos a irem ou a serem retirados de qualquer parte do mundo, distorcendo mercados e dando a seus administradores grandes lucros. 

Enquanto isto durar, evitar-se-á a hiperinflação e o dólar (em queda) continuará ainda a ser uma moeda internacional relativamente forte, quer seja pela necessidade de todos os países de exercer o comércio internacional, quer seja pela demanda de dólares pelos países endividados. Os EUA continuarão a ter déficits fiscais e de comércio exterior, espalhando dólares e mais dólares em seus esforços bélicos por todo o mundo, num total, hoje, de quase 1 trilhão de dólares anuais.

O capitalismo produtivo de todo o mundo, mesmo o Japão e a euro-comunidade com seu simulacro de reconhecimento do valor do dólar, vive hoje ancorado no mau crédito financeiro com base no dólar e no seu juro artificialmente baixo. Dá-se crédito, ou, refinancia-se,  agentes sem condições para honrar tais créditos. Esses créditos, ainda, não tem qualquer lastro, podendo, ou no curto prazo (amanhã?) , ou no médio prazo (nos próximos meses?), ou no longo prazo  (um ano?), gerar uma inadimplência  geral, agravando em muito o já agora triste espetáculo do desemprego. Vê-se aí o quadro da Argentina, tentando baixar para 25% o total de suas dívidas internas e externas.

Paralelamente a isto, os empresários capitalistas tentam obter lucros virtuais nas bolsas de futuros e derivativos espalhadas pelo mundo. Porém, só os verdadeiros controladores desse mercado obtêm o êxito final. Só eles sabem comprar ações para incentivar o mercado e assim obter  lucros virtuais nos mercados futuros e de derivativos. E de tempos em tempos, só eles deixam de comprar ações, promovendo fortes baixas nesses mercados, obtendo, assim, também, seus lucros virtuais máximos.

Se os mercados reais estão em crescimento ou parados, às portas de uma crise de demanda, para eles isto não importa; eles pensam que os mercados reais e os mercados  financeiros são absolutamente independentes...

Porém nas lides econômicas tudo é devidamente registrado. Com o passar do tempo, tudo tende a ser esclarecido. Assim se sucederam as civilizações...

Hoje, o mundo inteiro está nas mãos de poucas multinacionais, que produzem, elas e seus fornecedores, cerca de 80% a 90% da produção mundial. As multinacionais são monopolistas ou oligopolistas, gerando um desemprego cada vez maior. As multinacionais têm um financiamento indevido, ilimitado,  em dólares, para si e para seus clientes, à base de 3 a 4% ao ano, enquanto uma empresa, digamos, brasileira, o terá, em reais, a base de 25 a 70% ao ano.

Os textos convencionais de economia poderão, de forma ampla, dizer das conseqüências naturais provenientes desta situação de monopolização ou olipolização geral da economia mundial: desemprego crescente, aumento de preços, mais desemprego, inadimplência geral, falências de empresas, falência de bancos, profundas baixas das bolsas de valores espalhadas pelo mundo, falência (em função da inexistência de risco, pois todos as cotações tendem a cair) dos mercados futuros e de derivativos, volta de todos os dólares espalhados pelo mundo à sua base, o mercado norte americano, hiperinflação no mercado norte americano, profunda crise no comércio internacional...  

A mídia não relata a realidade dos fatos apesar dos indicadores que se apresentam.

Esta é a nossa posição em relação à iminente queda do dólar, que poderá ocorrer amanhã, no próximo mês ou durante o novo governo Bush.

 

Segunda pergunta
Leandro:

 Agora eu lhe faço uma pergunta.

Quais são os parâmetros que o governo brasileiro utiliza para fazer a cotação de nossa moeda em relação ao dólar que atualmente apresenta a relação de aproximadamente 1 x 3, ou seja, no meu entendimento é dizer que a moeda americana é 200% mais forte que a nossa.

 

Nossa opinião:

 A questão do câmbio de moedas é uma questão estatística, segundo “a nova economia política”.

Entre todos os países e comunidades do globo, qual seria o país ou a comunidade que apresente a mais extensa em qualidade e quantidade relação de exportações e importações? Hoje, sem dúvida, é a euro-comunidade. Seria a euro-comunidade que apresentaria a base sobre a qual seriam calculados as cotações das moedas nacionais frente a moeda internacional que, por razões históricas, chamaríamos de bankor.

A base sobre a qual calcularemos as diversas cotações das moedas nacionais frente à moeda internacional bankor é a relação das quantidades das mercadorias transacionadas pela euro-comunidade multiplicadas pelo seu preço CIF, em euros ou bankors. O bankor, de mesmo valor que o euro, teria uma relação cambial igual a 1 com o euro.

Se fossemos calcular a cotação do real frente ao bankor, dividiríamos a somatória das quantidades das mercadorias transacionadas pelo Brasil  multiplicadas, pelos preços CIF em reais, pelas quantidades das mercadorias transacionadas pelo Brasil multiplicadas pelos preços CIF em bankors, iguais ao preço CIF em euros.

Um banco central mundial distribuiria bankors pelos diversos países e comunidades pelos mesmos critérios da distribuição das moedas nacionais, ou seja, distribuiria o capital circulante internacional de acordo com os recebimentos previstos de sua pauta de exportações. Assim, se a pauta de exportações for a de navios, com período de fabricação de um ano, este país receberia bankors logo no início do prazo recorrente, pelo valor integral do navio. Se fosse produtos com prazo médio de recebimento iguais à metade do prazo recorrente, este pais receberia metade do valor de suas exportações. Se recebesse suas exportações em 1/3 do prazo recorrente, receberia capital circulante internacional igual a 1/3 de suas exportações. Evidentemente a figura de um novo banco internacional poderia intervir no negócio e financiar para um país aquilo que foi poupado por outros. Caso a economia internacional permanecesse estacionária, esta seria a única emissão de bankors. Havendo incremento das transações internacionais, a quantidade total de bankors aumentaria na mesma proporção desse incremento.

Este critério é o proposto em “A NOVA ECONOMIA POLÍTICA”.

Através desse critério o comércio exterior do mundo não terá qualquer tipo de barreiras que impeçam a liberdade, a criatividade e a vantagem comparativa de qualquer país frente aos demais países do mundo.

Vamos agora às suas questões.

Com o câmbio congelado pelo governo haverá sim grande interferência na pauta de comércio exterior: câmbio rebaixado, excesso de importações frente às exportações; câmbio elevado, excesso de exportações frente às importações. Já tivemos tudo isto!

Estamos agora testando o câmbio flutuante, com todas as implicações desse tipo de critério. A moeda internacional dólar, por exemplo, vem caindo no Brasil e no mercado internacional. Euforia no mercado de importações, reclamações no de exportações. Nossa dívida externa torna-se mais barata em termos de reais; em compensação torna-se mais difícil a obtenção dos dólares do superávit de nossa balança comercial. Tudo isso sem falar nos controladores do dólar, que podem perfeitamente destacar o Brasil como uma das próximas “bolas da vez” a serem jogadas. É extremamente dificultoso ter o dólar, com todas as suas mazelas, como moeda internacional!

Afirmamos que não existem parâmetros duradouros do governo brasileiro para tratar do assunto câmbio de moedas. O que existe é uma série de tentativas que se sucedem, todas dando ênfase aos aspectos de maximização das exportações, para fazer frente aos nossos compromissos externos. Mas maximização das exportações dá origem a processos inflacionários bastante sérios, levando o governo a aumentar juros levando nosso parque industrial brasileiro ainda mais à inatividade. Porém nosso parque industrial multinacional, cerca de 80 a 90% da capacidade industrial brasileira, com juros de 3 a 4% ao ano, permanece assaz confortável, continuando, no possível, suas vendas internas através de grandes e baratos financiamentos e exportando o máximo possível, para que suas sucursais vendam os produtos também em prazos longos e juros baratíssimos. Daí o propalado sucesso do atual crescimento da nossa economia e a permanente queixa do setor produtivo nacional.

Com relação ao fato de considerarmos uma moeda forte ou fraca com relação ao câmbio entre elas, na realidade, assim consideramos em função do histórico recente entre as moedas, ou seja, se houve uma alteração relativa dos valores de uma moeda em relação outra. Por exemplo, na década de 80, o câmbio entre o yen e o dólar era de 260, passando na década de  90 para 170. Em 2005, este câmbio é na base de 100 yens para 1 dólar. O yen, então, vêm se fortalecendo em relação ao dólar.

 

Terceira pergunta
Leandro:

 “Estamos, então, muito próximos à situação de 1929, porém, agora, em escala mundial.

Quando, nos próximos tempos (dias, semanas ou meses), o mercado, através de balanços auditados, passar a considerar os prejuízos da maior parte das empresas, ele apenas poderá cair, e muito, descaraterizando o risco de subidas e descidas mobiliárias.

O mundo, enfim, entrará num verdadeiro caos, muito além daquilo que presenciamos hoje e que já achamos terrificante.

Acreditamos, porém, que este caos será rápido.” (*)

(*) Texto publicado no site www.nep2000.ecn.br

Em função destes parágrafos parece que o colapso dos EUA e do mundo está a curto prazo! Qual a sua opinião se eu lhe disser que ouvi uma reportagem com um grande líder de um país asiático (Cingapura), respondendo a uma pergunta se o próximo centenário ainda pertence aos EUA, ele disse que sim?

 

Nossa opinião:

 Prevemos matematicamente a derrocada do dólar para breve, como única forma da humanidade trilhar novos caminhos e adentrar, talvez, num mundo bem melhor, no  site www.nep2000.ecn.br , onde estão nossos livros, artigos, cursos, opiniões e mensagens, todos eles  baseados no livro “A NOVA ECONOMIA POLÍTICA”.

À esta pergunta, oferecemos toda a nossa obra.

Observações pertinentes

Vale lembrar dizeres do economista Irving Fisher de que “os preços das ações atingiram o que parece ser um patamar elevado permanente” algumas semanas antes da Quinta Feira Negra em 1929, que desencadeou a Grande Depressão.

Vale também lembrar os dizeres do economista Edward Prescott, um dos dois ganhadores do Prêmio Nobel de Economia de 2004 de que "a economia americana está equilibrada" e quem acha que os déficits fiscal e comercial americano são grandes problemas, "sabe menos economia que meus alunos de graduação... a economia americana está crescendo a um ritmo normal, mas poderia ter um boom se os impostos fossem reduzidos aos níveis anteriores a 1993".

 



Ciro de Oliveira Machado
janeiro/2005