Ciro de Oliveira Machado

Referência:

FMI vê risco de queda desordenada do dólar e critica EUA
ECONOMIA GLOBAL
(INVERTIA NOTÍCIAS – Reuters Investor) 7 de janeiro de 2004, 19h49


13/01/2004
   

Economia global
FMI vê risco de queda desordenada do dólar e critica EUA
Quarta, 7 de Janeiro de 2004, 19h49 
Fonte: Reuters Investor

Os grandes e crescentes déficits orçamentário e em conta corrente dos Estados Unidos elevam o risco de um queda abrupta no valor do dólar, que poderia afetar o crescimento econômico global e norte-americano, afirmou o FMI nesta quarta-feira.

"Apesar de o ajuste do dólar poder ocorrer gradualmente durante um longo período, o possível risco global de um ajuste desordenado na taxa de câmbio, especialmente nos mercados financeiros, não pode ser ignorado", advertiu o Fundo Monetário Internacional em relatório sobre a política fiscal de Washington.

"Um enfraquecimento abrupto da confiança do investidor em relação ao dólar pode levar a consequências adversas nos cenários externo e interno", particularmente depois da dívida dos EUA com o resto do mundo ter atingido novos recordes, disse o Fundo.

Charles Collyns, vice-diretor do Fundo para o Hemisfério Ocidental, afirmou a repórteres que a queda "significativa" do dólar em relação ao euro e ao iene torna mais difícil para os bancos centrais dessas regiões manter nos trilhos as incipientes recuperações econômicas.

"Até agora, a queda no dólar tem sido ordenada... mas o movimento ordenado que ocorreu certamente já complicou a administração da política macroeconômica em outros países, tais como a zona do euro e o Japão", afirmou.

"As opções que eles teriam como resposta a uma apreciação adicional de suas moedas são de certa forma limitadas", disse Collyns. "Estamos preocupados que, se o problema fiscal dos EUA não for tratado, ele se torne ainda mais complicado."

Apesar disso, ele não acredita que a queda até o momento do dólar coloque um fim na recuperação econômica.

"O fato de que a recuperação global, no geral, está aumentando o ritmo... mostra que a Europa e o Japão estão ganhando força", afirmou Collyns. "Então, acho que, no geral, o ambiente da economia global continua bastante favorável para a continuidade da recuperação."

 

Nossa Opinião

Pouco a pouco, um dos principais responsáveis pela depressão máxima que se avizinha, o FMI, pressionado por opiniões de especialistas econômicos de todo o mundo, abre a guarda e descreve o estado das finanças públicas dos EUA como "perigoso" para a economia global no longo (e a nosso ver, no curtíssimo)

 prazo.

O mundo econômico globalizado está diante de uma fragilidade extrema: há um desequilíbrio cambial entre o dólar, única moeda internacional, cuja desvalorização é patente, e as principais moedas do mundo. Este desequilíbrio existe nas finanças e nas transações com mercadorias, nacional e internacionalmente.  

Uma simples análise monetarista basta para verificarmos este desequilíbrio: o “gap” dos Estados Unidos, ou seja,  a somatória de todos os “dólares” existentes no mundo fora dos EUA, é de US$ 47 trilhões, que somados aos dólares emitidos pelos bancos internacionais, atingem algumas centenas de trilhões de dólares, isto tudo contra um Produto Interno Bruto na casa de US$ 10 trilhões. O valor real de um dólar é, hoje, o de apenas alguns centavos de euros ou de yens, haja visto o que vai ocorrer quando o mundo despejar esses dólares em compras no território americano.

Diante desta situação, algumas questões devem ser solucionadas:

1a – Por que o dólar não cai imediatamente para o seu valor real?

2a - Havendo esta tendência de queda, o que fazer para manter o comércio mundial em bases (porque não dizer) desenvolvimentistas?

Quanto à 1a. questão, voltamos a apontar o mercado de derivativos como o grande responsável pela manutenção deste desequilíbrio, seguido de uma “natural” tendência dos agentes do comércio internacional em manter o valor do dólar, única moeda disponível, em bases salutares às suas operações.

Hoje, se o dólar cai demais, cessa o comércio internacional!

Mas esta tendência “natural” está ligada intimamente ao mercado de derivativos isto porque os homens de negócio de hoje são essencialmente jogadores.

O mercado de derivativos é uma espécie de jogo, um jogo globalizado.

Ganha este jogo o que apostar certo nas tendências do mercado, seja o de ações, de moeda, de juros ou de mercadorias. Ao se jogar este jogo, nada é produzido, porém todas as disponibilidades financeiras mundiais entram no jogo, algumas delas comprando ou vendendo opções de compra ou de venda, outras, a grande maioria, controlando aquilo que a economia ortodoxa chama de mercado de risco...

Existe realmente um mercado de risco global ou as centenas de trilhões de dólares disponíveis manipulam este mercado?

Temos defendido esta última hipótese!

Em nosso artigo aqui publicado, “ALERTA AOS "INVESTIDORES"  DO MERCADO DE DERIVATIVOS: NÃO VENDAM OPÇÕES DE VENDA”, podemos ler:

“Neste contexto de crise da economia real, representada por baixas dos salários e desemprego de homens e máquinas, o que estaria acorrendo na economia irreal, a dos dólares, dos mercados futuros e dos derivativos?

Eles simplesmente estão projetando outra crise financeira, talvez a última das crises financeiras das tantas que tem assolado o mundo. Eles estão projetando baixas absolutas nas bolsas e em commodities, aumentos significativos nos juros e violentos ajustes cambiais.

Quem controla esta economia irreal são os autênticos fazedores de mercados, eles que comandam a totalidade da liquidez mundial, representada por 120 trilhões de dólares localizados nos paraísos fiscais do planeta (contra apenas 10 trilhões de dólares de PIB atual nos EUA). Eles, a custa desta incrível quantidade de dólares, podem fixar o crescimento de bolsas de valores e commodities e também manter estáveis os juros e o câmbio.

Como?
Comprando nos mercados reais para fazer os índices subirem, não comprando para fazer com que os índices caiam; comprando mais para fazer os índices subirem numa “volatilidade crescente” e finalmente, não comprando e vendendo, fazendo que as cotações caiam ao fundo do poço.

Quando?
Sempre que necessário pois os “investidores” se auto-manipulam.

Por que meio?
A custa do irreal mercado de derivativos, que permeia todos os mercados reais das ações, das commodities, dos juros e do câmbio.”

Ou seja, dentro do desequilíbrio geral, existem outros desequilíbrios, a do controle dos mercados reais, não tão de risco assim. Os controladores desse mercado pretendem (e vão) ganhar fortunas ao comprar opções de venda num mercado real em baixa absoluta.

Esta situação não irá perdurar muito. Em nossa Opinião de 15/10/2003, podemos ler:

“As bolsas só não caem definitivamente porque tem atrás de si a liquidez virtual do mercado de derivativos que compra ações para se manter, gerando lucros virtuais.

O que será feito quando as empresas passarem a apresentar prejuízos de uma forma explícita? O que será feito quando as empresas tiverem seus balanços não mais maquiados?

Aí não será mais a "liqüidez" do mercado de derivativos que proporcionará a aparente manutenção de tais mercados. A queda será vertiginosa. O mercado de derivativos irá sucumbir. Os bancos internacionais irão falir. A inflação norte-americana irá começar, com a volta, para os EUA, dos dólares espalhados pelo mundo.

O dólar perderá o valor.

Na falta do dólar, o comércio externo será seriamente prejudicado, elevando mais ainda o desemprego.
As regras do jogo do capitalismo global que pareciam favorecer muito mais os países industrializados do que as nações em desenvolvimento, por serem falsas, conduzirão todos ao caos, em especial os Estados Unidos, causador de toda essa crise.”

Estão aí nossas explicações para esta aparente manutenção do valor do dólar.

Agora, suponhamos que ele comece a cair!

De acordo com a 2a. questão a ser analisada, o que fazer para manter o comércio mundial em bases desenvolvimentistas?

Para isto, dispomos apenas de uma resposta: a de uma reforma monetária impar, implantando-se as Moedas Neutras Nacionais e Internacional.

A correta explicação de como agir, está em todas as palavras deste site.



Ciro de Oliveira Machado